o que escuto do meu corpo são ruídos, gosto de prestar
atenção nesses barulhos de explosão no estômago, gosto de me sentir e ver que
está tudo bem, gosto dessa sensação de estar bem, só quem já saiu do controle e
quis fugir de si sabe o quanto perceber-se bem é uma grande satisfação de ser.
Eu queria segurar a mão de todos, dizer que
só precisamos segurar um a mão do outro e formarmos uma grande unidade, sem
pensar no tempo que demoraríamos pra nos juntarmos. Eu nunca tive a coragem de começar esse
movimento, pois a loucura é algo que me assusta e me deixa envergonhada, sempre
tive medo de algum dia perceberem como olho para tudo como se fosse um fantasma. Na verdade, eu só quero
que segurem a minha mão, só quero que o mundo pare de ser tão cruel, só quero
que as maldades não cheguem a um nível abaixo do suportável, que não seja tão
medonho e horrível. Tem coisas que nos apavoram, faz dormirmos com a luz
acessa, porque são reais, não são frutos da nossa imaginação, é medonho e real
e não há abraço ou palavra de conforto que diminua o pavor, pois existe,
acontece. E tudo o que quero é compreender que estou completamente errada. Sinto um abraço terno, é a sonolência me chamando para uma conversa com uma parte de mim que sabe ouvir serena e com atenção até onde posso saber sobre a vida e eu acordo com a sensação de ter entendido algo que é tão grande que preenche-me sem poder sair pela boca. Eu me calo e aprecio o meu corpo olhando e sendo.
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