Olho-me no espelho
estou só
tão eu, tão certo
meu corpo
parado e fosco
me confunde
e de fora
interiormente
me pergunto:
sou abrigo ou gaiola?
atordoa a olhar
um pedaço de carne refletido
tão turvo e sem brilho
no vidro a me tampar
tão miúdo
camúfla o mundo
que mora em mim
que eu engulo
todos os dias
estou só
tão eu, tão certo
meu corpo
parado e fosco
me confunde
e de fora
interiormente
me pergunto:
sou abrigo ou gaiola?
atordoa a olhar
um pedaço de carne refletido
tão turvo e sem brilho
no vidro a me tampar
tão miúdo
camúfla o mundo
que mora em mim
que eu engulo
todos os dias

