“ O rio não tem cabelo, minha fia”
Dá mesma forma é a vida, não
temos onde nos segurar na correnteza do tempo. Não para, leva-nos
constantemente para o futuro. Movemo-nos por pessoas, seres, lugares, pensamentos,
são o que nos alimenta (fortalecendo ou enfraquecendo). No entanto, é difícil
lidar com esse fluir, conviver com a força das águas, tão tirânica a nossos
olhos. É o medo das pedras, da solidão, do que se fez e não pode mudar, do que
está por vir, do deixar de ser. É sim, para muitos, desesperador, angustiante,
causa estresse, desânimo, tristezas. A aflição fica, enquanto a vida percorre
seu rio, queremos respostas- salvação. E há, em toda parte, pessoas com
soluções para viver, como se a vida precisasse ser curada. Gritam certezas,
e nós, aflitamente, nos agarramos, com tanta força que nos tornamos pura tensão,
defendendo-as com unhas e dentes. Defendendo-nos da angústia da incerteza. Verdades
que nos causa injuria quando questionada, o corpo treme e o coração bombardeia.
Assim, de um jeito desconfortante, elas nos confortam. As verdades, quem as
criou? Por qual motivo? Será que por medo da torrente ou por ter virado onda? As
ondas, essas mesmas que nos carregam. Somos carregados pelas verdades dos que se
tornaram ondas? Quanta ilusão! Continuamos a sermos carregados, ainda com fome
de laços, de vínculos. E se nos déssemos as
mãos? E se ao movermo-nos, nos tocássemos? Nos olhássemos? Nos sentíssemos?
Como se uma teia de aranha firme e flexível tecesse também os nossos destinos. Sentiríamos.
Sentir-íamos. Sentindo cada instante, nutriríamos de cada momento. Fortalecidos
seguiríamos. A vida seria embalo. Seríamos fogo, seríamos terra, seríamos rio. E
aí, já cheios de amor, sem mais perguntas, diríamos: Que flua, mas com afeto.
Texto escrito após eu assistir o documentário sobre a Dona Flor, parteira e raizeira da comunidade do Moinho, Chapada- Go. Encantada com seu jeito terno e firme de ser. Também muito embasado nos aprendizados com a Pedagogia Griô, referência para toda a vida.
Texto escrito após eu assistir o documentário sobre a Dona Flor, parteira e raizeira da comunidade do Moinho, Chapada- Go. Encantada com seu jeito terno e firme de ser. Também muito embasado nos aprendizados com a Pedagogia Griô, referência para toda a vida.
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