No metro, tudo estava como sempre é, as cadeiras ocupadas e pessoas escoradas em seus cansaços. Um homem oferecia o seu lugar a cada mulher que entrava no vagão, estas diziam não precisar e agradeciam. Olhei bem para ele e vi um menino pedindo colo, era isso que ele queria oferecendo seu assento, um colo no anseio de encontrar um olhar materno. Meu coração apertou, havia uma pista entre nós e eu fui até seu lado da calçada. Fiquei um pouco irritada com a intromissão dos meus olhos, porque temos esse poder de enxergar as pessoas, essas tão apagadas em suas vidas cotidianas? É como mosquitos que de repente entram nos nossos narizes, bocas, olhos e temos que tragá-los sem querer. Eu queria ter me levantado e ido embora, romper os laços que iam se formando e olhei para o chão até a hora da descida.
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