sábado, 18 de dezembro de 2010

"adoro os restos como as boas moscas"

Um brado retumbante soou
Um braço sujo
Um corpo sujo
Um lábio imundo falou:

Meu pé tem calos
Meu cabelos, cascas brancas
entre as unhas cutucam areias
Tenho cabelos ralos
E alguns cheiros saindo das glândulas

A ferida não é de um coração partido
É de um corte profundo
Cheio de antígenos impuros
Com líquidos a coibi-los

Não é bonito
Não é romântico
Não estou aqui para te elevar

É só um ganido
De mais um estranho
Alguém cansado de olhar pelo aquário.

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